terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Ganhadores do Grammy, Victor e Leo criticam falta de originalidade na música


Se pegarmos os primeiros colocados das paradas musicais do país nos últimos anos, sem dúvida alguma iremos nos deparar com a presença de diversos cantores e duplas da chamada “nova música sertaneja”. É o caso, por exemplo, dos “hitmakers” Michel Teló, Gusttavo Lima, Luan Santana, Jorge e Mateus, e João Bosco e Vinicius. Ao analisar esse cenário em entrevista ao programa Pânico, da Jovem Pan FM, Victor e Leo, outros importantes representantes do gênero, admitiram que às vezes sentem que falta originalidade.
“A música sertaneja vem sofrendo com a falta de artistas que têm identidade, personalidade. Tudo vai na mesma linha, a que está rolando. Isso é ruim não só para o gênero, mas para a música como um todo”, disse Leo. “É o capitalismo. As pessoas querem dinheiro e não arte”, completou.

Victor foi ainda mais fundo na discussão. Para ele, a qualidade da música reflete a qualidade da educação no país de maneira diretamente proporcional. Se uma é de baixa qualidade, a outra também será.

“Houve um tempo em que tínhamos referenciais de maior conteúdo. Em nível intelectual mesmo. Interpretação de texto, figuras de linguagem. Acho que a grade escolar vem piorando nesse sentido. Aí piora também o nível de absorção geral. Não estou me colocando em uma categoria superior, mas tem cara que é considerado cantor hoje que não entraria em um estúdio de rádio anos atrás. É tudo questão de referencial”, afirmou.

Eles garantem, porém, que, mesmo com todas essas dificuldades existentes no mercado, é possível ir contra a corrente e surpreender o público com novidades.

 “A música Na Linha do Tempo, que é a nossa nova música de trabalho, por exemplo, foi a mais tocada no país inteiro durante 10 semanas. Ainda está na briga acho. E é uma música diferente, sua essência é contrária à tendência do mercado. É isso que buscamos. Fazer algo que converse com o mercado, mas sem banalizar, sem perder qualidade”, continuou Leo.

O assunto surgiu quando os músicos contavam detalhes do recente Viva Por Mim, 11° disco de estúdio da carreira, que, segundo eles, é um dos álbuns mais inovadores que já fizeram.

“Ele é diferente. Traz muita influência de outros estilos que ainda não tínhamos usado. Hard rock, R&B moderno e soul, por exemplo. Há uma pitada de variedades, uma série de temperos novos. As pessoas até estranham quando ouvem”, disse Victor.

Vale lembrar que o disco chega em um momento bastante peculiar para os artistas. O trabalho anterior da dupla, o Ao Vivo em Floripa, levou o prêmio de Melhor Álbum de Música Sertaneja na última edição do Grammy Latino, realizado no mês de novembro em Las Vegas. Eles concorreram com Michel Teló, Marcos e Bellutti, Jorge e Mateus, e João Bosco e Vinicius. 

“Já tivemos cinco álbuns indicados. Quando perguntavam se a gente achava que tinha chance de ganhar, respondíamos que não mais. Foi lindo, cara. Maravilhoso”, comentou Leo.

Ouça a entrevista da dupla na íntegra clicando aqui.

Fonte: Jovem Pan.

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